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Neto de GR lana livro sobre menino com cncer inspirado em obra do av

Publicado em 01 d julho d 2013

Do site UOL Entretenimento
Por MIRELLA NASCIMENTO
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Vinte e um anos depois do lanamento do seu primeiro livro “O Computador Sentimental”, vencedor do prmio Adolfo Aizen de melhor livro juvenil em 1993 , Ricardo Ramos Filho participa pela primeira vez da Festa Literria Internacional de Paraty (Flip) na edio que homenageia seu av, Graciliano Ramos. A Flip comea nesta quarta-feira (3) e vai at domingo.

Autor de livros infantojuvenis e estudioso do trabalho de Graciliano, o carioca de 59 anos participa de algumas mesas na programao principal da Flip e na Flipinha e lana trs ttulos um deles inspirado em uma das obras infantis do av.

A ideia para “Se eu no me chamasse Raimundo” surgiu aps o pedido do Instituto do Cncer Infantil do Agreste, em Caruaru, para batizar o bloco de quimioterapia do hospital com o nome de “A Terra dos Meninos Pelados”. As crianas da instituio tinham acabado de ler o primeiro livro infantil de Graciliano, que conta a histria de Raimundo, um menino careca que tem um olho preto e outro azul e que se refugia na imaginao para construir um mundo onde todos so como ele.

Capa do livro de Ricardo

No livro de Ricardo, outro Raimundo luta contra o cncer e se identifica com o heri de “A Terra dos Meninos Pelados”, que l no hospital como os meninos do instituto de Caruaru. Em tratamento com quimioterapia, o garoto convive com a esperana da cura e a dor de perder uma amiga. “ o contato com a morte, com a dor da perda, e a alegria de ficar bom. Tratei do assunto com muita delicadeza”, contou o autor em entrevista ao UOL.”O Cravo Brigou Com a Rosa” outro lanamento infantil do autor na Flip, inspirado na cantiga que narra o desentendimento das duas flores debaixo de uma sacada. “Quando menino, eu me perguntava por que o cravo brigou com a rosa. No livro, ele est chateado com a briga, diz que a cano fofoca e que nunca despedaaria a flor”, contou Ricardo, que elogiou algumas vezes o trabalho de ilustrao ou texto visual, como prefere chamar de Tati Mes no livro.

O terceiro ttulo a ser lanado na Flip, e o primeiro adulto do autor, “Montado no Ponteiro Grande do Relgio” rene crnicas postadas em seu perfil na internet e ser publicado em formato digital. “Eu uso muito o Facebook, como laboratrio de texto. Posto pequenas crnicas para testar a recepo. Acompanho quem curte, quem compartilha, para ver como recebido. So crnicas muito curtas, tento dizer o que quero em um espao curto de tempo e texto”.

“Graas a Deus no me chamo Graciliano”

Ricardo Ramos Filho demorou para admitir que poderia ser mais um escritor na famlia. Neto de Graciliano e filho de Ricardo Ramos, cresceu lendo muitos livros, mas temia ser comparado ao pai e ao av. Decidiu estudar matemtica e trabalhou com TI, mas no se sentia vontade na rea. Depois de frequentar sesses de terapia, acabou aceitando o dom da escrita e publicou seu primeiro livro aos 38 anos.

Nascido alguns meses depois da morte de Graciliano Ramos, quase ganhou o nome daquele que foi um dos maiores escritores brasileiros. “Graas a Deus no me chamo Graciliano. Seria um fardo muito grande”, disse com bom humor.

Depois da resistncia em comear a escrever e do medo da comparao, Ricardo Ramos Filho fala do pai e do av sem receios: “Eu tenho uma relao um pouco diferente com Graciliano do que meu pai. Ele no gostava de falar, de ser comparado. No me incomoda, falo dos dois. Eu sei que escritor como Graciliano eu nunca vou ser, mas tem espao para ser um bom escritor”.

Mestrando da Universidade de So Paulo (USP), Ricardo est prestes a defender sua dissertao, na qual compara os textos de “A Terra dos Meninos Pelados” e “So Bernardo”, ambos de Graciliano, para mostrar como a literatura infantojuvenil pode ter a mesma qualidade da literatura adulta.

“As pessoas associam o ‘infantil’ no a quem destinado, mas ao que escrito, como se fosse um tipo de literatura menor. Mas o texto pode ter as mesmas qualidades do texto adulto. Meu trabalho busca mostrar isso. A obra infantil do Graciliano, por exemplo, deveria ser mais visitada”.

Veja mais na categoria Publicaes

CONHEÇA A OBRA DE GRACILIANO RAMOS

  • Caets (1933)
  • Caets  edio especial 80 anos (2013)
  • S. Bernardo (1934)
  • Angstia (1936)
  • Angstia – edio especial 75 anos (2011)
  • Vidas Secas (1938)
  • Vidas Secas – edio especial 70 anos (2008)
  • Vidas Secas – em quadrinhos (2015)
  • Infncia (1945)
  • Insnia (1947)
  • Memrias do Crcere (1953)
  • Viagem (1954)
  • Linhas Tortas (1962)
  • Viventes das Alagoas (1962)
  • Garranchos (2012)
  • Cangaos (2014)
  • Conversas (2014)
  • A Terra dos Meninos Pelados (1939)
  • Histrias de Alexandre (1944)
  • Alexandre e Outros Heris (1962)
  • O Estribo de Prata (1984)
  • Minsk (2013)
  • Cartas (1980)
  • Cartas de Amor a Helosa (1992)
  • Dois Dedos (1945)
  • Histrias Incompletas (1946)
  • Brando entre o Mar e o Amor (1942)
  • Memrias de um Negro (1940) Booker T. Washington, traduo
  • A Peste (1950) Albert Camus, traduo

“A palavra no foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso.
A palavra foi feita para dizer.”

em entrevista a Joel Silveira, 1948